Queremos fazer memória da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo em nossa história trazendo para a reflexão dois movimentos que consideramos importantes nesta dinâmica: a encarnação é processo histórico e a encarnação é fazer-se como.
Na primeira dinâmica queremos colocar em evidência o ato de esvaziamento e de respeito à história humana, vivido por nosso Deus. Ele nasce em um dado momento da história, num contexto geográfico e sócio-cultural. Ele não é fantasma ou uma divindade longínqua e nem brincou de humanidade.
Com isto, queremos falar da importância metodológica de nossa ação evangelizadora. Ela não pode, pensamos nós, se quiser ser uma evangelização nos moldes do Nazareno, ser descontextualizada ou desencarnada. É preciso levar em conta a real situação a que se deseja fazer evangelho. O outro não é objeto é sujeito. O Senhor também nos viu como sujeito. E sujeitos livres e autônomos.
Na outra vertente dinâmica, temos a seqüência deste movimento encarnacional de Jesus: fazer-se como. Não adianta ir ao outro cheios de nós mesmos e de nossas idéias fixas a respeito da vida e do mundo. A realidade é muito maior do que aquilo que pensamos, e sempre dinâmica e mutável. É preciso calçar os sapatos do outro. É preciso saber onde o calo aperta, é preciso saber como é viver na sua pele, é preciso saber que o outro é diferente de mim, tem processos pessoais, razões, mas é meu irmão. É aqui que se dá o processo mais difícil em uma evangelização humanizadora. Ela precisa usar os critérios que o Mestre usou em seu processo de ser gente como a gente. Para sermos gente com o outro.
Quais são esses critérios? Sabê-los talvez não vai ser tão difícil, quanto vivê-los. Mas não desanimemos. É sempre um exercício a ser feito durante toda a nossa vida e em toda ação evangelizadora. E o importante não é o êxito, o importante é o esforço, a busca, a consciência e o discernimento. Não liguem para aqueles que enchem o peito e dizem: falar é fácil. É preciso falarmos sim. É preciso falarmos muito, até que isso tome conta da nossa vida e aprendamos com Ele a viver melhor nosso processo de humanização com os demais.
Não elencaremos todos os critérios. Só alguns que possam aguçar nossa curiosidade de reflexão e de busca destes na mística dos evangelhos. Primeiro, a humildade que comporta o ser gente, humano e fragilizado. Ele mesmo nos diz: "aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Em segundo lugar queremos destacar o deixar que o outro também nos evangelize. Olha que cena no mínimo interessante entre Jesus e a mulher Cananéia(MT 15,26-28): ele amplia o Reino e se deixa evangelizar. Uma terceira atitude que destacamos é sua relação de um amor incondicional e vital com o Pai. Sem essa relação e esse discipulado vamos levar a boa notícia de outro, não do Senhor.
Outras atitudes de Jesus podem ser buscadas a partir dos evangelhos. Queremos finalizar essa reflexão com um apelo. Um apelo a de que este Natal, possa ser mais um oportuno momento nosso (pessoa, família, comunidade) de ENCARNAÇÃO. De saber-se vocacionados à vida e a produzir vida onde quer estejamos. Que o Menino-Deus nos ensine a sua mística de solidariedade, de busca pela justiça e de opção preferencial pelos pobres.
Que a encarnação do Senhor, nos dê a graça de uma vida mais humanizada e de uma ação evangelizadora encarnada, que leve sempre em conta a realidade e a dignidade da pessoa humana de nossos irmãos e irmãs.
Feliz encarnação para todos nós!
Comissão de Animação do Apostolado Social.